segunda-feira, 25 de maio de 2015

Alergênicos - Parte 4: VITAL® - Voluntary Incidental Trace Allergen Labeling

O mais importante trabalho do Allergen Bureau mostrado pela Stephanie (ver post Alergênicos - Parte 1: Responsabilidade Compartilhada noAllergen Bureau), foi concretizar o desenvolvimento do VITAL®, uma ferramenta de avaliação de risco de alergênicos para os produtores de alimentos, iniciado em 2004.

Para esta tarefa, o Allergen Bureau formou um painel de experts científicos, o VITAL® Scientific Expert Panel (VSEP), a fim de revisar dados científicos sobre os limiares de alergênicos alimentares. Esta revisão era crítica para poder fundamentar a tomada de decisões pelo produtor de usar (ou não) na rotulagem a declaração "pode ​​estar presente", padronizada pelo VSEP, garantindo assim de fato a proteção  do consumidor alérgico.
Fonte: www.tcgffoodsafety.com

Antes de ser lançado, o VITAL® foi submetido a testes pilotos, considerados bem sucedidos e que “resultaram em uma equipe focada e cheia de energia”, segundo a palestrante. Lançado em junho de 2007, tem sido continuamente aperfeiçoado e aprofundado, consistindo atualmente dos seguintes materiais, além de outros apoios disponibilizados pelo Allergen Bureau:

  • VITAL®  Guide
  • VITAL® Calculator
  • VITAL® Allergenic Protein Level



Em julho deste ano será lançado o VITAL® Online, com várias melhorias feitas com base na contribuição de um grupo de usuários.



Stephanie concluiu sua palestra afirmando que:

•  O uso do Allergen Bureau VITAL®  está propiciando consistência à avaliação de riscos de alergênicos e está crescendo em todo o mundo
• A gestão de alergênicos continua a ser uma prioridade máxima de segurança de alimentos, que requer investimento contínuo em educação e processos
•  A Nestlé continuará a apoiar estas iniciativas de gestão de alergênicos de apoio à indústria em um ambiente pré-competitivo.

Para encerrar esta série de posts sobre a palestra da Stephanie sobre alergênicos e as pesquisas que fiz para aprofundar as informações por ela apresentadas, informo que os materiais da série VITAL® estão disponíveis para download no site allergenbureau.net, mas para obter o VITAL® Calculator você tem antes que se cadastrar no site, onde indicado.
Fonte: www.tcgffoodsafety.com

Alergênicos - Parte 3: Allergen Collaboration & Allergen Portal

Paralelamente ao trabalho do Allergen Bureau mencionado em post anterior, o FSANZ - Food Standards Australia New Zealand,  criou em 2011 o grupo Allergen Collaboration para fortalecer o engajamento e colaboração entre os atores envolvidos na gestão de alérgenos alimentares. Seus membros incluem representantes de fabricantes de alimentos, consumidores e governo, e se reúnem periodicamente para explorar medidas não regulamentares que podem melhorar a gestão de alérgenos alimentares.

Resultados até o momento: auditoria material de comunicação relacionado a alergênicos, desenvolvimento de uma série de mensagens-chave sobre a gestão de alérgenos alimentares para diversos setores da cadeia de alimentos e a criação do Allergen Portal,  alojado no site do FSANZ.


O Allergen Portal fornece acesso a informações sobre gestão de alergênicos para auxiliar as partes interessadas:
- indústria de alimentos (fabricantes, varejistas, serviços de alimentação e importadores)
- consumidores
- para creches e escolas
- para profissionais de saúde
- para organizações governamentais


Comentário meu: e no Brasil, temos algo semelhante?

Mesmo que tenha demorado algum tempo, a ANVISA agora está fazendo esforços para regulamentar a questão dos alergênicos no Brasil, tendo lançado em 2 de abril de 2014 a Consulta Pública nº 29/2014 para rotulagem de fontes de alergias ou de intolerâncias alimentares, obtendo recordes de respostas. Esta Consulta Pública prevê regras para as oito principais categorias de alimentos alergênicos: leite, ovos, amendoim, nozes, trigo (incluídos o centeio, aveia e cevada), crustáceos, peixes, soja. A proposta também prevê que os rótulos indiquem sua presença do alimento, no caso de ingrediente ser derivado destes alimentos alergênicos.

Em 6 de maio a ANVISA realizou a primeira uma audiência pública sobre rotulagem de alergênicos, com vários stakeholders presentes. Como a novidade surgiu a inclusão do látex e de coco (Cocos nucifera),  o que tem gerado controvérsias, já que estes alergênicos não fazem parte dos “big eight″ definidos pelo Codex Alimentarius. Mas vale lembrar que o látex pode fazer parte de gomas de mascar, de adesivos de embalagens para alimentos e há relatos de alergia ao coco.

Parece que estamos caminhando, certo?