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quarta-feira, 13 de março de 2013

Redes Globais de Segurança de Alimentos - perspectiva de um fabricante: Nestlé


A importância das redes globais de segurança de alimentos, sua estrutura, exemplos e desafios foram abordados de forma brilhante por Richard Stadler, do Grupo de Especialistas em Segurança de Alimentos, Nestlé Ltda., Suíça.

Começando pelas razões da existência de tais redes, Richard enumerou a necessidade de melhoria de competência, troca de experiências, identificação de gaps, busca de solução para problemas específicos e estabelecimento de diretrizes e normas.

Sobre estrutura, ele identificou dois tipos principais de redes: as redes orientadas por ciência e tecnologia e as redes de especialistas em determinado assunto ou negócio. Muito clara ficou a importância de participar e acessar redes de alerta rápido, que cobrem problemas relativos à segurança de alimentos, à conformidade legal ou à nutrição, que podem ser reais ou apenas “percebidos”.

O especialista mostrou como um adequado monitoramento pode prevenir uma crise. A linha crescente de evidência, até problema, incidente e geração de uma crise pode ser interrompida quando decisões e ações rápidas são tomadas ao ser evidenciado que de fato há problemas.

E quais são hoje as principais fontes de informação sobre problemas potenciais? Richard mencionou as redes especializadas da própria empresa, redes externas (como ILSI, IFSQN etc), análise de tendências e monitoramento das informações da internet.


Richard exemplificou ações tomadas com apoio de redes para redução ou eliminação de potenciais contaminantes. Dos exemplos dados, um foi relativo às pesquisas de SEM - semicarbazida, realizadas com o apoio da JIG – Joint Industry Group on Packaging for Food Contact.



Richard Stadler, Nestlé, Suíça

(Foto cedida pela Coordenação de Marketing & Comunicação do GFSI)




Amanhã, postarei o ponto de vista sobre Redes Globais de Segurança de Alimentos – perspectiva de um varejista: Mariano Rodriguez Moya, Diretor da Qualidade e do Desenvolvimento Sustentável do Carrefour da Espanha.




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segunda-feira, 11 de março de 2013

Discurso de abertura e de boas vindas - parte 2


Neste post, relato as duas palestras que antecederam o encerramento da sessão de abertura e de boas vindas, que ocorreram ainda no primeiro dia da Conferência.

Dra. Angelika Tritscher, Diretora do Departamento de Segurança de Alimentos e de Zoonoses da OMS - Organização Mundial de Saúde, Suíça, discorreu sobre o “fardo” representado pelas doenças transmitidas por alimentos: anualmente, cerca de um terço da população mundial, ou seja, 2 bilhões de pessoas (repito, e adiciono uma exclamação: 2 bilhões!) ficam doentes devido a alimentos contaminados. Dra. Angelika alertou que este número é apenas uma estimativa, “na melhor das hipóteses”, e discutiu que a principal razão da falta de precisão deste dado é, em maior ou menor extensão, devida à má notificação e subnotificação deste tipo de doença. “O que em geral se observa é que a informação é escassa e o que é relatado é apenas a ponta de um iceberg”, afirma ela. A demografia mundial, as comunicações, as mudanças climáticas, as perdas econômicas, aspectos de “food defense” e busca de nutrição saudável são todos fatores que têm um elevado impacto nas doenças de origem alimentar.

Dra. Angelika delineou algumas iniciativas necessárias para reforçar a segurança de alimentos de maneira global: reforço dos sistemas de proteção de alimentos, abordagem harmonizada “entre–empresas” e intersetorial, compromisso internacional para notificação de casos, compromisso global para reduzir doença de origem alimentar e “agir globalmente para proteger localmente”. 



Dra Angelika Tritscher, OMS, Suíça.



Dr. Robert Thompson, Professor da Faculdade de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos, relatou alguns dados históricos sobre a produção de alimentos, desde a teoria de Malthus, que previa no século 18 que a produção mundial de alimentos não seria capaz de acompanhar o crescimento da população, até os dias atuais, quando o volume de alimentos produzidos teoricamente seria capaz de alimentar toda a população existente, não fossem as perdas e desigualdade no consumo.

O grande salto na produção de alimentos deveu-se principalmente à elevação da produtividade impulsionada pelos avanços na tecnologia agrícola, mas há um enorme descompasso entre onde as pessoas vivem e onde os alimentos são produzidos. Segundo Dr. Robert, “a questão é se/ou por quanto tempo esta previsão vai continuar a estar errada”. Enquanto muitos creditam o aumento da demanda de alimentos ao crescimento da população mundial, economistas estimam que 30 a 40 por cento do aumento desta demanda até 2050 será devido ao amplo crescimento econômico nos países em desenvolvimento. O mais importante "desconhecido", segundo o Dr. Thompson é o número de consumidores de baixa renda que sairá da pobreza nas próximas décadas, o que potencialmente exercerá uma pressão enorme na demanda global por alimentos, podendo desencadear um período de incerteza. “Para dobrar a disponibilidade de alimentos, a duplicação sustentável da produtividade agrícola é a única solução, dobrando a produtividade em solos férteis não erodíveis", disse ele. 

Dr. Thompson alertou para um fato que é por vezes negligenciado: “20 a 40 por cento dos alimentos cultivados nos países em desenvolvimento são desperdiçados devido à tecnologia de armazenamento inadequado, à falta de transporte rural, resultando na redução de perdas pós-colheita, componente chave de qualquer estratégia de segurança alimentar”.


Finalizando este post, posso resumir a mensagem do Dr. Thompson como “a importância vital que o mundo deve dar a um maior investimento em pesquisa agrícola e à infra-estrutura rural”.



Robert Thompson, Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos






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sexta-feira, 8 de março de 2013

Discurso de abertura e de boas vindas - Parte 1

Segurança dos alimentos em uma Economia Global

Mike Robach, Vice Presidente para Segurança de Alimentos e Assuntos Regulatórios da Cargill, Estados Unidos, deu as boas vindas aos participantes, relembrando o tema de 2012: ”Segurança de alimentos é responsabilidade compartilhada”. Mike enumerou os desafios para a segurança dos alimentos em uma economia global em tempos de incertezas econômicas: o perigo de protecionismo; os conflitos globais; o crescimento da população; o aumento da demanda de grãos, parte em função no seu uso para biocombustíveis, dentre outros. Mike continuou: “A estrutura e mecanismo para uma parceria global eficaz já existem. Os fatores chave são: Pessoas, Ciência, Sistemas, Interfaces e Relacionamento”. Mike afirmou que os recursos devem ser aplicados de forma eficaz, baseados em ciência e risco, acrescentando que o aumento da confiança na segurança de alimentos reforça o comércio global e o livre comércio facilita o acesso aos alimentos. 

Fiquei otimista em perceber que tenho a mesma opinião: os desafios de um sistema global de alimentação em tempos de incertezas econômicas são gerenciáveis, desde que se busque soluções baseadas na ciência, tendo academia,  indústria, produtores e governos trabalhando juntos em uma parceria global.

Mike Robach, Cargill, Estados Unidos



Yves Rey, Diretor Geral Corporativo da Qualidade da Danone, França, iniciou seu discurso afirmando que "alimento seguro é um requisito fundamental para a sustentabilidade do negócio e de sua rentabilidade". Com grande entusiasmo, Yves ressaltou o papel central que o GFSI tem assumido no século 21: “O GFSI reúne alguns dos melhores especialistas do mundo, constituindo-se em um fórum aberto e valioso, capaz de reunir de uma forma global os vários stakeholders. Esta plataforma valiosa tem a missão de melhorar a segurança de alimentos, e de conduzir esta segurança com foco na melhoria contínua. O futuro reserva muitos desafios e muitas possibilidades”. Yves enfatizou que estes desafios precisam ser abordados de forma colaborativa,  acrescentando: "Ao trabalharmos juntos, o céu é o limite".

Yves Rey, Danone, França


Michael Taylor, Representante para Alimentos e Medicina Veterinária do FDA, Estados Unidos, lembrou a importância dos alimentos importados para a população dos Estados Unidos. Ele falou da nova abordagem para segurança de alimentos trazida pelo FSMA – Food Safety Modernization Act, apontando aos participantes que este regulamento fez com que a política pública começasse a mudar do modelo inspeção para incorporar a prevenção.

Ele acenou que parcerias público-privadas podem ser feitas, porém sem mencionar algum fato novo no horizonte. No ano passado, relembro aos leitores que acompanharam o blog, que ele havia acenado com a possibilidade de reconhecimento das auditorias com base em normas reconhecidas pelo GFSI, mas me pareceu que o assunto está sem definição.

Michael Taylor, FDA, Estados Unidos


Continua no próximo post.







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