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terça-feira, 19 de março de 2013

Como é segurança de alimentos na China?

Segundo Zaotian Wan, Vice Presidente da COFCO Corporation da China, é assim: 食品安全.


Brincadeiras à parte, segundo o palestrante, a COFCO - Corporação Nacional de Cereais, Óleos e Produtos Alimentares da China, fundada em 1952, é a maior empresa de processamento e de comercialização de alimentos daquele país, e é uma das maiores empresas estatais chinesas.

Zaotian falou sobre a Segurança de Alimentos Mundial: o exemplo chinês, explicando que a China ainda tem muito a desenvolver na área de segurança de alimentos. Ele relatou que, em 2010, houve 173 casos de “intoxicação” alimentar registrados na China, envolvendo o número de 6.272 pessoas e 146 mortes. Curiosamente, o palestrante citou os respectivos números registrados nos Estados Unidos: 1,28 milhões e 3.000. Pensei ter entendido errado, mas nos slides cedidos pelo palestrante, traduzidos para o inglês, realmente aparecem os números dos Estados Unidos entre parênteses. Fiquei me perguntando se esta seria alguma técnica governamental para minimizar o fato, admitido por ele mesmo, de que a segurança de alimentos lá ainda é incipiente. É claro que a captação ou a informação, ou ambos parecem ainda não ser de “alta precisão”.

Wan explicou que o cenário das indústrias de alimentos na China é constituído por pequenas empresas, de baixo grau de automatização, dispersas em várias regiões, o que dificulta o controle. Exemplificou: para processamento de trigo, somente 1% das empresas têm capacidade de processamento acima de 1.000 toneladas por dia, enquanto nos Estados Unidos esta porcentagem é de 50%. Acrescentou que a China é menos harmonizada que em países desenvolvidos, sendo o sistema de padrões legislativos incompleto, com a adoção de padrões internacionais abaixo de 50%, com inconformidades e sobreposição dos padrões. Há falta de análise de risco e de investigação de novos poluentes, falta de cadeia de frio suficiente, falta de integridade das empresas e há alta deterioração do meio ambiente.

Wan revelou que, nos últimos anos, a maioria dos incidentes de alimentos foi causada pela contaminação intencional, o que leva o desafio para a área de Food Defense.

A segurança de alimentos está intimamente ligada com o negócio internacional da economia global, e os consumidores chineses têm se preocupado com a intensiva exposição na mídia de casos envolvendo segurança de alimentos, como foi o caso da melamina no leite. “A entrada do governo tomando a segurança de alimentos como parte dos sistemas de engenharia social e de meios de subsistência está levando o sistema de vigilância sanitária e a cultura de alimentos a se formarem gradualmente: até o final de 2010, mais de 6.300 instituições nacionais de alimentos para análises de segurança de alimentos foram estabelecidas, a supervisão da segurança de alimentos foi reforçada e foi criado um mecanismo de resposta a emergências de segurança de alimentos. Os controles têm aumentado constantemente, citando que 27.369 empresas produtoras de alimentos foram inspecionadas de 2006 a 2010”. Mais uma vez achei que poderia ter entendido mal, seria 2010 mesmo? Mas confirmei no slides cedidos, que não contemplam dados mais recentes.

Wan concluiu que, para fazer frente com este cenário, a COFCO publicou em 2009 os “Dez Princípios de Gestão da Segurança de Alimentos” estando, a empresa, disposta a trabalhar com as associações, a academia, a mídia e os consumidores, para melhorar a situação de segurança de alimentos. Wan observou que a empresa estatal não opera todos os elos da cadeia de abastecimento de alimentos, mas tem o objetivo de influenciá-los. E acrescentou “o GFSI é necessário para construir uma plataforma de comunicação para fabricantes de alimentos e varejistas, compartilhando, juntos, a experiência para melhorar o nível da segurança de alimentos”.

Zaotian Wan, da COFCO, China.Autor da foto: Cong Xue, constante no site da Conferência.




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segunda-feira, 18 de março de 2013

Existe essa coisa de alimento produzido localmente?


Ao escrever sobre esta palestra, percebi que o tempo que tive livre em Barcelona acabei gastando em boa parte, vejam só, com alimentos produzidos localmente! Com meu marido saboreei uma deliciosa paella, com muito sabor e “cor” local no restaurante Caracoles, fundado em 1835. Em Sitges, nos arredores da cidade, comi uma entrada de melão com presunto ibérico pata negra tipo bellota. Este presunto é produzido a partir de porcos negros, de raça ibérica, criados não confinados, e se alimentam com nozes de carvalho. Em Vic, encantadora cidadezinha, a 70 km de Barcelona, visitamos uma tradicional casa de embutidos produzidos localmente, uma famosa casa de chocolates lá produzidos artesanalmente, e um restaurante divino, o Ca L’u, onde me deliciei com arròs negre e bescuit cremat amb xocolata tudo claro, feito localmente.

Mosaico decorativo em uma loja de embutidos em Vic, Espanha.
Autor da foto: Ellen Lopes



Embutidos, Vic, Espanha


Isso tudo me fez lembrar o interessante questionamento colocado por Valentin Almansa de Lara, Diretor do Departamento de Saúde de Produtos Animais e Vegetais do Ministério da Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente da Espanha, sobre a crença de alguns consumidores de que a produção local possa ser mais segura: “num mundo interconectado globalmente, mesmo alimentos produzidos localmente podem resultar em eventos de dimensão internacional. Deu como exemplo o evento da E. coli O104:H4 ocorrido em 2011, ligado a broto de feijão, envolveu apenas na Alemanha, mais de 4 mil pessoas infectadas e 48 mortes, afetando também um grande número de consumidores, de pelo menos 16 países, que tinham viajado para a Alemanha”.

“O sentimento relacionado ao seu país, ou à sua região, à sua tradição, do que é bem conhecido e familiar é que traz esta sensação de segurança”, discorreu ele. Este sentimento pode ser explorado como estratégia de marketing, que ele chamou de “marketing defensivo”, o que pode interferir no preço, para maior ou para menor, conforme a situação. No caso da E. coli 0104:H4 acima mencionado, os produtores espanhóis sentiram na pele este efeito, pois, como num primeiro momento, culpou-se os pepinos exportados pela Espanha, eles tiveram que baixar o preço para poder recuperar mercados.

Valentin Almansa de Lara, Ministério da Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente, Espanha

Autor da foto: Cong Xue, constante no site da Conferência.



Felizmente os produtos locais que degustei não provocaram nenhum evento de dimensões internacionais ao longo da viagem. Ainda bem, porque “evento internacional” em avião é algo coisa nada agradável.






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quinta-feira, 14 de março de 2013

Redes Globais de Segurança de Alimentos- perspectiva de um varejista: Carrefour, Espanha

Hoje mostro o ponto de vista sobre Redes Globais de Segurança de Alimentos, pelo olhar de Mariano Rodriguez Moya, Diretor da Qualidade e do Desenvolvimento Sustentável do Carrefour, Espanha, que está no ponto de venda, em contato diário com o consumidor.

Já no resumo disponibilizado antes do evento, Mariano relata que “como um varejista de alcance global, é fundamental contar com uma rede para trocar informações e poder detectar assuntos emergentes de segurança de alimentos”.

Durante sua palestra, Mariano ressaltou a necessidade de se antecipar e de minimizar os riscos para garantir e proteger a identidade dos produtos através de sistemas de rastreabilidade, em combinação com monitoramento contínuo.

Ele acrescentou uma nota de advertência referente ao mercado espanhol, porém, a meu ver, aplicável a mercados em dificuldade econômica: a crise econômica na Espanha está levando a novas pressões que podem afetar a segurança de alimentos, pois, nacionalmente, há uma redução dos controles analíticos e da qualidade, combinado a cortes nos investimentos de pesquisa.

Daí em diante, se o problema vai “para a rua”, apenas correções são possíveis. Talvez esta seja uma lição que não deve ser copiada: na crise, cortes devem ser feitos com muito cuidado para que “o barato não saia caro”. Desculpem-me a comparação, mas o exemplo de Santa Maria é o mais contundente exemplo que já vi do “barato que sai caro”.

Mariano deu grande ênfase à rastreabilidade, aspecto de fundamental importância. Permito-me, porém, comentar que muitas vezes a rastreabilidade é vista como uma ferramenta com poder de resolver problemas. Na realidade, a rastreabilidade por si só não resolve problemas, mas, sim, permite localizar, circunscrever e, eventualmente, permitir que o problema seja extirpado. 

Contudo, devo ressaltar que a garantia e prevenção durante processo é que ainda deve merecer atenção número um.



Mariano Rodriguez Moya, 
Diretor da Qualidade e do Desenvolvimento Sustentável do Carrefour, Espanha.




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terça-feira, 12 de março de 2013

Ferramentas e Detecção de Doenças Veiculadas por Alimentos num Mundo Global

          
 Declan Naughton, professor de Ciência Biomolecular, Kingston University, Londres, Reino Unido, falou sobre Ferramentas para Monitoramento Global da Segurança de Alimentos.

Declan iniciou falando que, em sua visão, “não temos mais uma simples cadeia de abastecimento de alimentos, e, sim, uma rede de abastecimento de alimentos”.

Com base em modelos originalmente usados no rastreamento de células terroristas, através de algoritmos específicos sua equipe desenvolveu uma ferramenta de fácil utilização analítica, que permite uma representação muito flexível e visual dos relacionamentos de uma rede. Tal ferramenta permite análise instantânea e customizada de padrões de alerta da base de dados do RASFF, o Sistema Europeu de Alerta Rápido para Alimentos e Rações Animais.

A capacidade de acessar instantaneamente o perfil resultante de milhares de relatórios anuais de um determinado país permite a cada país identificar os grandes transgressores e detectores dentro da sua rede comercial para eventuais problemas de segurança de alimentos.

Ainda, a ferramenta objetiva permitir a redução de análises em duplicata, facilitar a identificação de situações de emergências, bem como simplificar as análises de tendências e as ações para melhoria da cadeia de abastecimento

A ferramenta é de código aberto, disponível na web: http://staffnet.kingston.ac.uk/~ku36087/foodalert/

 

Declan Naughton, Kingston University, London, Reino Unido
Foto cedida pela Coordenação de Marketing & Comunicação do GFSI.

 


John Besser, Chefe Adjunto do Laboratório de Doença Entéricas do CDC, EUA foi responsável pelo tema Detecção de Doenças Veiculadas por Alimentos, e relatou como a rede de laboratórios nacionais e internacionais que formam a PulseNet tem auxiliado a detectar e rastrear infecções de origem alimentar em todo o mundo. “Num mundo globalizado, um surto de doença transmitida por alimentos pode se tornar aparente a milhares de milhas de distância de onde o problema foi originalmente causado”, ressaltou ele.


A Pulsenet começou nos EUA e agora já abrange 83 países, oferecendo uma rede especializada na detecção de problemas ainda não conhecidos, através de métodos padronizados de genotipagem e compartilhamento de informações em tempo real. O objetivo é aumentar a vigilância e alerta antecipado de surtos de doenças alimentares, patógenos emergentes, bem como atos de bioterrorismo.


Segundo John, temos que encarar a segurança de alimentos como na aviação: “O importante é aprender com o fracasso. A segurança de alimentos não é diferente. Temos de detectar precocemente e investigar completamente os surtos. Nós precisamos aprender com as falhas da realidade. Isto é parte do ciclo de prevenção”.



John Besser, CDC, EUA 


Aguarde no próximo post o overview das palestras de Richard Stadler da Nestlé, Suíça e de Mariano Rodriguez Moya, do Carrefour, Espanha.




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