Para fechar o blog deste ano, gostaria de parabenizar o board do GFSI e toda a sua equipe pelo sucesso do evento. Uma salva de palmas para Catherine François e Jessica Wigram, ambas do GFSI, e para toda a equipe responsável pela organização impecável da Conferência.
Aproveito para informar que a próxima Global Food Safety Conference, para gáudio de criaturas tropicais como eu, acontecerá em lugar de clima mais ameno que as anteriores: será em Orlando, na Flórida, de 15 a 17 de fevereiro de 2012.
Comece a se planejar para estar presente a esse evento. Faça parte dessa crescente rede de especialistas para juntos construirmos um futuro com alimentos cada vez mais seguros.
Espero que você tenha gostado de ler as notícias da Conferência de 2011 neste blog. Se tiver comentários, críticas ou sugestões, por favor use o e-mail ellenlopes2010@gmail.com. Desde já, muito obrigada!
Agradecimento especial a Paulo Levi pelo apoio com a parte técnica do blog, e a Edgard Nemorin e Duncan Soar pelas fotos que me salvaram quando as minhas não ficaram boas.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Com a palavra Yves Rey, novo presidente do GFSI
Após as considerações finais de Frank Yiannas, Hans Jürgen Marten, ex-presidente do GFSI, anunciou o novo presidente da entidade: Yves Rey, Gerente Geral Corporativo da Qualidade da Danone.
A seguir, os destaques de uma rápida entrevista com Yves logo após o término da Conferência:
Como você avalia o resultado da Conferência deste ano?
Esta Conferência pode ajudar os produtores de alimentos brasileiros?
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| Ellen Lopes e Yves Rey |
A seguir, os destaques de uma rápida entrevista com Yves logo após o término da Conferência:
Como você avalia o resultado da Conferência deste ano?
“Primeiramente, gostaria de ressaltar que tivemos 700 participantes, o que em si já é um sucesso. Mas o mais importante é que conseguimos gerar paixão e energia ao redor do assunto, o que é fundamental para o futuro da segurança dos alimentos. Evoluímos da visão do passado, de proteção do consumidor, para uma visão de empowerment, onde temos o papel de dar suporte para que todos os stakeholders sejam capazes de, em conjunto, construir o futuro de uma cadeia de suprimentos segura. Além disso, destaco o equilíbrio na participação de varejistas, produtores e autoridades, demonstrando um comprometimento de todos os elos fundamentais da cadeia de alimentos”.
Esta Conferência pode ajudar os produtores de alimentos brasileiros?
”Sem dúvida, o resultado desta conferência terá o efeito de uma bola de neve, fazendo aumentar nos produtores do Brasil que ainda não aderiram ao esquema do GFSI a disposição e a vontade de fazer parte desta cultura de segurança de alimentos, e de difundir a cultura de “best practices” representada pela implementação dessas normas”.
Conferência, dia 3 - palestra de encerramento por Frank Yiannas
Fechando a Conferência deste ano, Frank Yiannas, VP de Segurança de Alimentos e Assuntos de Saúde do Walmart dos Estados Unidos, fez um sumário das idéias mais importantes que foram discutidas nos últimos três dias. Frank destacou a importância do aspecto comportamental, já que implementar segurança de alimentos implica em mudar o comportamento das pessoas. Com admirável poder se síntese, Frank colocou a questão da seguinte forma: “Segurança de alimentos = comportamento”, enfatizando que para produzir alimentos seguros é necessário que a segurança de alimentos seja internalizada como cultura da organização.
Outro aspecto significativo foi resumido por Frank na frase “Tornando visível o invisível”. A enorme evolução das metodologias de identificação genética de microorganismos facilitou a tarefa de rastrear a origem de problemas epidemiológicos, dando maior velocidade ao processo. Paralelamente, a evolução das mídias eletrônicas agilizou a distribuição de alertas sobre surtos de doenças veiculadas por alimentos.
Frank enfatizou que o grande desafio do futuro, para muitos na cadeia de alimentos, será conseguir implementar a cultura de segurança de alimentos nos seus fornecedores, idéia que dramatizou com o slide de uma figura do “calcanhar de Aquiles”. Citando Saint Exupéry, Frank disse que a tarefa para o futuro não é prevê-lo, mas sim torná-lo possível, acrescentando que o GFSI estará ao lado de todos, prestando o seu apoio para que este desafio seja vencido.
Me permito um comentário final: confesso que fiquei muito feliz pela ênfase dada aos aspectos comportamentais. Nós da Food Design compartilhamos da mesma crença, tanto é que há vários anos colocamos à disposição de nossos clientes treinamentos comportamentais em paralelo aos treinamentos de enfoque técnico.
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| Frank Yiannas, do Walmart |
Outro aspecto significativo foi resumido por Frank na frase “Tornando visível o invisível”. A enorme evolução das metodologias de identificação genética de microorganismos facilitou a tarefa de rastrear a origem de problemas epidemiológicos, dando maior velocidade ao processo. Paralelamente, a evolução das mídias eletrônicas agilizou a distribuição de alertas sobre surtos de doenças veiculadas por alimentos.
Frank enfatizou que o grande desafio do futuro, para muitos na cadeia de alimentos, será conseguir implementar a cultura de segurança de alimentos nos seus fornecedores, idéia que dramatizou com o slide de uma figura do “calcanhar de Aquiles”. Citando Saint Exupéry, Frank disse que a tarefa para o futuro não é prevê-lo, mas sim torná-lo possível, acrescentando que o GFSI estará ao lado de todos, prestando o seu apoio para que este desafio seja vencido.
Me permito um comentário final: confesso que fiquei muito feliz pela ênfase dada aos aspectos comportamentais. Nós da Food Design compartilhamos da mesma crença, tanto é que há vários anos colocamos à disposição de nossos clientes treinamentos comportamentais em paralelo aos treinamentos de enfoque técnico.
Conferência, dia 3 - visita ao stand da NSF International
Perto do final da conferência, visitei o stand da NSF International, onde conversei com os diretores da empresa, Duncan Goodwin e Dan Fone.
A NSF, fundada nos Estados Unidos em 1944 como National Sanitation Foundation, tem como objetivos desenvolver normas, testar produtos e prestar serviços de certificação nas áreas de saúde pública, segurança e proteção do meio ambiente. Duncan me explicou o programa de certificação de qualidade de bebidas, que se aplica a produtos que vão de água mineral a bebidas energéticas. O programa, que prevê auditoria e análise do produto final, já tem empresas certificadas no Brasil.
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| Duncan Goodwin, da NSF |
A NSF, fundada nos Estados Unidos em 1944 como National Sanitation Foundation, tem como objetivos desenvolver normas, testar produtos e prestar serviços de certificação nas áreas de saúde pública, segurança e proteção do meio ambiente. Duncan me explicou o programa de certificação de qualidade de bebidas, que se aplica a produtos que vão de água mineral a bebidas energéticas. O programa, que prevê auditoria e análise do produto final, já tem empresas certificadas no Brasil.
Conferência, dia 3 - palestra Joe Giblin/Peter Gillson
Joe Giblin é Diretor da Icon Global Link, empresa australiana de consultoria especializada em sistemas de software para gerenciamento de risco ao longo de cadeias de suprimentos. Peter Gillson é Diretor de Relações Globais da SFI International, empresa também australiana de CRM - Customer Relationship Management. Juntos, fizeram uma palestra sobre o tema “Gerenciamento de risco aplicado – metodologia das melhores práticas”, mostrando como realizam trabalhos de gestão integrada de risco na cadeia de suprimentos
Joe e Peter relataram que o modo mais usual de gestão de risco é cada elo da cadeia tratar os riscos de seu próprio negócio de forma isolada, sem levar em conta os demais elos que compõem a cadeia. As empresas que representam propõem uma transição para o que denominam de “better practices”, que é um mapeamento dos riscos em todos os elos da cadeia produtiva, viabilizando um tratamento de riscos de forma sistêmica e não isolada. Como resultado, as empresas podem ter uma gestão mais estratégica, com maior visibilidade e transparência, o que propicia maior economia e uma melhor comunicação entre as funções operacionais.
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| Joe Giblin, da Icon |
Joe e Peter relataram que o modo mais usual de gestão de risco é cada elo da cadeia tratar os riscos de seu próprio negócio de forma isolada, sem levar em conta os demais elos que compõem a cadeia. As empresas que representam propõem uma transição para o que denominam de “better practices”, que é um mapeamento dos riscos em todos os elos da cadeia produtiva, viabilizando um tratamento de riscos de forma sistêmica e não isolada. Como resultado, as empresas podem ter uma gestão mais estratégica, com maior visibilidade e transparência, o que propicia maior economia e uma melhor comunicação entre as funções operacionais.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Conferência, dia 3 - palestra Ulrich Sperling
Ulrich Sperling, Diretor Executivo da TAFS (International Forum for Transmissible Spongiform Encephalopathies and Food Safety), entidade fundada na Suíça em 2002, apresentou um trabalho sobre “Análise quantitativa global de doenças transmitidas por animais”.
Ulrich explicou que o objetivo desse trabalho foi realizar estudos de tendências globais a partir da base de dados da OIE – Organização Internacional de Epizootias. Com esse estudo, a TAFS procurou elucidar questões como, por exemplo, qual é o animal de criação que mais doenças apresenta (considerando tanto doenças que podem contaminar humanos, como doenças que podem levar à perda de animais). A conclusão foi: primeiramente o frango, depois os suínos, seguidos por outros animais.
Ulrich apontou que mais de 60% das doenças veiculadas por alimentos têm origem zoonótica, e concluiu que existe um enorme potencial para se disponibizar mais alimentos de origem animal através da simples redução da incidência dessas doenças. Várias outras tendências resultaram da análise dos dados da OIE, mas Ulrich ressalta que, paralelamente ao que se pode inferir sobre saúde animal a partir dos dados existentes, a própria coleta de dados é um problema em escala mundial, já que estes são incompletos e por vezes não confiáveis. Há a necessidade de melhorar a captação dos dados e a qualidade do que é informado à OIE para que o mundo possa aprimorar a vigilância e a prevenção das doenças zoonóticas, o que contribuiria para salvaguardar a saúde humana e disponibilizar uma maior quantidade de alimentos.
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| Ulrich Sperling, da TAFS |
Ulrich apontou que mais de 60% das doenças veiculadas por alimentos têm origem zoonótica, e concluiu que existe um enorme potencial para se disponibizar mais alimentos de origem animal através da simples redução da incidência dessas doenças. Várias outras tendências resultaram da análise dos dados da OIE, mas Ulrich ressalta que, paralelamente ao que se pode inferir sobre saúde animal a partir dos dados existentes, a própria coleta de dados é um problema em escala mundial, já que estes são incompletos e por vezes não confiáveis. Há a necessidade de melhorar a captação dos dados e a qualidade do que é informado à OIE para que o mundo possa aprimorar a vigilância e a prevenção das doenças zoonóticas, o que contribuiria para salvaguardar a saúde humana e disponibilizar uma maior quantidade de alimentos.
Conferência, dia 3 - palestra Fabienne Loisy
Após a reunião sobre as atividades do GFSI no Brasil, fui acompanhar uma das três sessões que corriam em paralelo. Optei pela sessão sobre Novos Temas em Segurança de Alimentos.
Vou relatar uma síntese da palestra da Fabienne Loisy, Diretora Científica do CEERAM - Centre Européen d’Expertise et de Recherche sur les Agents Microbiens, laboratório independente francês especializado na identificação genética de microorganismos. Fabienne falou sobre os desafios na prevenção de vírus de origem alimentar, e alertou que menos de dez partículas infecciosas de vírus, e às vezes apenas uma (por exemplo, de um enterovírus patogênico para humanos) são suficientes para causar uma infecção. Mencionou ainda que em 2007, 11,9 % dos casos identificados de doença de origem alimentar na Europa foram devidos a vírus, totalizando 11 surtos em que 668 pessoas foram afetadas. Discorreu também sobre métodos de análise e caracterização de vírus, concluindo que é importante integrar a avaliação de risco de vírus ao sistema HACCP. Para finalizar, alertou que é fundamental verificar e validar o efeito das operações de limpeza quanto ao efeito virucida, onde vírus for um perigo significativo.
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| Fabienne Loisy, do CEERAM |
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