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terça-feira, 8 de abril de 2014

O papel da indústria nas Doenças Transmitidas por Alimentos – parte 2


Durante sua palestra no segundo dia da conferência, Ian Williams, mostrou também o FDOSS – Sistema de Vigilância de Surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos. Esse sistema foi desenvolvido em 1973 e captura dados sobre os agentes, alimentos e responsáveis ​​pelos surtos de doenças investigados.  

Os surtos são a principal forma de aprender como os alimentos estão causando doenças e como prevení-las. Hoje em dia, os Estados Unidos reportam centenas de surtos a cada ano através do Sistema de Relatórios Nacional (NORs). Os dados são utilizados para determinar combinações de agente patogênico alimentar para focar na prevenção.


E quais são os passos para divulgação de dados sobre surtos investigados? A partir do momento que existe um possível surto, o departamento de saúde investiga o surto e os dados são inseridos no formulário do CDC. Assim, o CDC os verifica e os dados ficam prontos para análise e divulgação.

Fonte: slides da Conferência

O cenário dos surtos de origem alimentar está em mudança. O que costumava ser um cenário restrito, com surtos causados por erros de manipulação de alimentos produzido em um determinado local, envolvendo grandes números de pessoas circunscritos neste local onde este produto foi produzido, e com investigação e solução local, se transformou em um cenário disperso, com surtos causados por eventos de contaminação  de escala industrial, com alimentos amplamente distribuídos, envolvendo muitas comunidades, podendo haver poucas pessoas dispersas em muitos locais diferentes, com detecção feita por vigilância laboratorial e  resposta que exige coordenação entre os municípios, estados e órgãos federais envolvidos.

Fonte: slides da Conferência

O gráfico acima mostra o aumento do número do número de surtos de doenças de origem alimentar em vários estados americanos de 1993 a 2012. 

Já o gráfico abaixo apresenta a porcentagem de surtos envolvidos em diferentes categorias de produtos primários entre 2008 e 2012. Podemos observar que peixes, aves e carne bovina representam a maioria, porém é importante observar que vegetais folhosos já representam 10% dos surtos.

Fonte: slides da Conferência

Ian concluiu que a indústria é cada vez mais reconhecida como uma fonte de surtos de origem alimentar, causando mais e maiores surtos. Os principais desafios das indústrias com as doenças causadas por alimentos são:

- Atenção aos produtos consumidos crus - se não estiver prevista a higienização na indústria para remover alguns patógenos, este passo deverá ser alertado e feito  corretamente pelo consumidor, o que é válido somente se os patógenos não tenham se instalado nos tecidos internos da planta, o que impossibilita a eliminação através de higienização;
- Compreender melhor as relações patógeno-indústria, entendendo as possibilidades de contaminação do campo à mesa, envolvendo uma atenção aos três elementos-chave: Contaminação, Controles e Prevenção.


Apoio de redação: Pablo Laube
Apoio de publicação: Thaís Ferreira


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segunda-feira, 7 de abril de 2014

O papel da indústria nas Doenças Transmitidas por Alimentos – parte 1

No segundo dia da conferência, na parte da tarde, Ian Williams, Ph.D., Diretor do Departamento de Prevenção e Resposta de Surtos do CDC, Estados Unidos, palestrou sobre o papel da indústria nas DTAs – Doenças Transmitidas por Alimentos.

Ian mostrou que a cadeia de produção de alimentos exige uma complexa atividade humana, e que a contaminação dos alimentos pode acontecer em qualquer elo desta cadeia, mas que existem pontos específicos para fazer o sistema mais seguro.

Com o passar do tempo houve uma grande mudança na produção de alimentos. No passado o cenário era de produção local, com uma pequena distância da fazenda para mesa e a distribuição localizada nas redondezas. Hoje em dia, o cenário é de dispersão, temos menos produtores, porém bem maiores, com uma ampla distribuição, maior número de alimentos importados e prontos para o consumo, e novas técnicas para a produção, processamento e preparação. Apesar das facilidades, hoje existem mais riscos.


As toxinfecções com origem em alimentos contaminados são comuns e custam caro, mas podem ser evitadas. Nos Estados Unidos, a cada ano 48 milhões de pessoas ficam doentes (1 em cada 6 americanos), 128 mil são hospitalizadas, 3.000 morrem e acontecem 1000 surtos de origem alimentar. Apenas com a Salmonella foram gastos $ 2,8 bilhões em custos relacionados com a saúde, enquanto a prevenção de um único caso fatal de infecção por E. coli O157 permitiria poupar cerca de 7.000 mil dólares.

Fonte: slides da Conferência

Assim fica a pergunta: o que faz um agente patogénico causar uma doença de origem alimentar? Ian explica que, para tal, o agente deve: causar doença em seres humanos, estar presente no alimento e provocar a doença após o consumo de alimentos contaminados. 

Conhecer e investigar os surtos de DTAs é indispensável para o reconhecimento do papel das diversas partes envolvidas, bem como no auxílio de tomadas de mediadas que ajudem na prevenção destas doenças. A figura abaixo mostra que o sucesso da investigação de surtos de doenças transmitidas por alimentos depende da colaboração de todas as partes envolvidas.

Fonte: slides da Conferência

Durante a palestra, ele nos apresentou o PulseNet, uma rede nacional para a sub-tipificação molecular de microrganismos usada como apoio na vigilância sanitária de alimentos. Esta rede é constituída por mais de 80 laboratórios de pelo menos um em cada estado dos Estados Unidos. O sistema PulseNet de conecta as informações dos casos doenças transmitidas por alimentos em conjunto para detectar e definir os focos, usando o DNA "fingerprinting" das bactérias de cada caso isolado. O PulseNet compartilha esse DNA "fingerprinting" eletronicamente e é mantido na base de dados nacional do CDC.

O PulseNet analisa os dados e procura padrões similares dos últimos 2 a 4 meses. Quando um grupo de informações é identificado, o PulseNet notifica os epidemiologistas. A partir daí várias ações são iniciadas.

Não perca amanhã a continuação do meu relato sobre esta palestra!

Apoio de redação:Thaís Ferreira e Stela Quarentei

Apoio de publicação: Thaís Ferreira


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