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terça-feira, 11 de março de 2014

Saúde: meio ambiente, animais e pessoas


Jonna A. K. Mazet, Professora Doutura e Diretora Executiva do Instituto One Health e da Escola de Veterinária da Universidade da Davis, Califórnia, é veterinária de animais silvestres especializada em doenças zoonóticas. O Instituto One Health tem como objetivo a criação de mecanismos globais de vigilância de patógenos com potencial pandêmico.

Sua palestra foi muito importante para explicar o trabalho deste Instituto e me auxiliou a expandir as fronteiras de pensamento em relação aos alimentos e sua segurança.
Jonna Mazet, do Instituto One Health e da Escola de Veterinária da Universidade de Davis, Califórnia, Estados Unidos. Foto: Ellen Lopes.
Jonna iniciou citando que One Health”pode parecer um “novo conceito”, mas é na realidade um conceito antigo, já referenciado por vários cientistas, que mostram o óbvio mas por vezes esquecido conceito de que a saúde humana é afetada pela interação de vários elementos, como mostra a figura a seguir:
Fonte: Jonna Mazet
Tradução no sentido horário: Mudança no uso da terra e aumento da população humana; Aumento do contato entre humanos, animais de criação e animais silvestres; Fluxo de patógenos aumentado; Riscos à saúde de humanos, animais de criação e silvestres; Impactos nos meios de subsistência e pressões econômicas

Explicou Jonna ainda que o One Health trabalha com uma abordagem interdisciplinar para resolver problemas específicos e complexos que surgem nesta tripla interface de animais x homem x ambiente,. A colaboração entre os profissionais de diversas especializações é fundamental para a solução de problemas de saúde, fazendo questão de acrescentar: “mas não suficiente, pois há muitos outros esforços envolvidos e a necessidade também de esforços transdisciplinares”.
Fonte: Jonna Mazet
O One Health tem como estratégia mundial a expansão das colaborações interdisciplinares e das comunicações em todos os aspectos dos cuidados de saúde para os seres humanos, animais e meio ambiente.

Nos Estados Unidos várias entidades reconhecem os esforços do One Health, dentre as quais citou (não vou traduzir os nomes): American Academy of Pediatrics, American Association of Public Health Physicians, American Medical Association, American Nurses Association, American Public Health Association, American Society of Tropical Medicine and Hygiene, American Veterinary Medical Association, Centers for Disease Control and Prevention (CDC), Global Food Safety Initiative, Infectious Disease Society of America, United States Department of Agriculture (USDA), United States Agency for International Development (USAID), National Environmental Health Association (NEHA).

O One Health, conta com apoio da USAID, Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional. Através de estudos do Projeto USAID PREDICT foi possível a detecção de novos patógenos, sendo citados por Jonna a detecção de 250 novos vírus em animais selvagens, bem como documentados vários patógenos humanos em animais selvagens e vice versa: patógenos de origem animal em humanos. Coloco abaixo uma figura mostrada por Joanna com um mapa dos patógenos relacionados com as doenças infecciosas emergentes. 


Mapa dos patógenos relacionados com as doenças infecciosas emergentes. Fonte: Jonna Mazet
Relatou Jonna que esses dados foram obtidos após:
• treinamentos para mais de 2000 profissionais de campo, veterinários, técnicos de laboratório, trabalhadores públicos da área da saúde de 20 países em 59 ministérios;
• capacitação para testar as famílias virais em 35 laboratórios;
• coletadas amostras de 50.000 animais: morcegos, roedores, aves, carnívoros, primatas e ungulados. ( Ungulados são os cervídeos, pertencentes às Ordens Perissodactyla e Artiodactyla, por exemplo no Brasil as antas e porcos-do-mato).

Jonna relatou que “a maioria das doenças infecciosas emergentes em humanos provenientes de animais são doenças de origem zoonótica, com 75% delas com origem silvestre”. Ela disse que o objetivo final deste tipo de trabalho deve ser sempre impedir uma epidemia antes que esta possa se tornar uma pandemia, o que significa pesquisar sobre onde patógenos podem estar e como chegar lá. “Não é apenas sobre as pessoas, os animais e o ambiente, é sobre a combinação de tudo, o que resulta em "One Health", concluiu ela.

Apoio de redação: Pablo Laube
Apoio de revisão e de publicação: Simone Souza.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

FRAUDE é assunto para a INTERPOL - você sabia?


Eu nunca havia imaginado que a Interpol cuidasse de fraude também. Os leitores que, como eu, não sabiam disso, provavelmente ficarão surpresos a respeito das proporções que este problema tem atingido.

Simone Di Meo, Diretor de Inteligência Criminal da INTERPOL, França e da Europol, na Holanda reportou que, em 2012, a Comissão de Taxação e Alfândega da União Europeia apreendeu mais de 1,1 milhões de artigos entre alimentos e bebidas nas fronteiras da UE, incluindo desde produtos de luxo, como vinhos e produtos sazonais para datas festivas, como produtos de uso diário, como chá, confeitos e condimentos. Estas fraudes podem envolver desde falsificação de marcas e ou origem, até o uso de outros ingredientes perigosos ou não à saúde.

Di Meo apresentou os objetivos da INTERPOL da Europol, relatando, a seguir, as ações conjuntas que a INTERPOL vem fazendo com a Europol sobre fraude de alimentos e de bebidas.

A INTERPOL é uma organização mundial de polícia internacional, com 190 países membros, sendo o Brasil membro desde 1953. Seu objetivo é permitir que as polícias de todo o mundo trabalhem juntas para fazer do mundo um lugar mais seguro, contando com uma infraestrutura de alta tecnologia de apoio técnico e operacional.

A Europol é uma agência da União Europeia responsável pelo enforcement (adoro este conceito) da lei, ou seja, fazer cumprir a lei, cujo principal objetivo é uma Europa mais segura para o benefício de todos os cidadãos da União Europeia, lutando contra o crime internacional e o terrorismo. A Europol considera que as maiores ameaças de segurança vêm de terrorismo, tráfico de drogas, internacional e lavagem de dinheiro, fraude organizada, a falsificação da moeda euro e tráfico de pessoas. Grifei fraude organizada para destacar a ligação da agência com o assunto.

À esquerda, Simone Di Meo, Interpol, França.
Fonte: site da Conferência

As ações conjuntas com foco em ameaças à saúde, segurança e produtos potencialmente perigosos passaram a ser um dos grandes objetivos destas organizações a partir do projeto criado em 2008, envolvendo todas as commodities, exceto tabaco.

Esta colaboração resultou em duas grandes operações anti-fraude, em 2011 e 2012, denominadas respectivamente OPSON e OPSON II, realizadas em vários países. Estas operações foram respaldadas por apoio analítico de alto nível, e resultaram na detecção de uma enorme quantidade de produtos fraudados.



A seguir veja alguns recortes de clippings sobre fraudes mostrados por Di Meo e se surpreendam com as quantidades envolvidas.





Autor: Simone Di Meo, Interpol, França

Veja a número de pessoas presas:

Autor: Simone Di Meo, Interpol, França

E veja mais dados sobre as operações:

Autor: Simone Di Meo, Interpol, França


Autor: Simone Di Meo, Interpol, França


Como resultado destas operações, os produtos mais sujeitos à fraude/ países foram: peixe – França; Azeite de oliva – Itália; leite – Islândia; mel – Turquia; sucos de frutas – Tailândia; chá, café e especiarias – Turquia e Itália; vinhos e aguardentes – Itália, França, Turquia e Reino Unido; molho de soja – Tailândia; carne – Colômbia; cubos para preparo de sopas – Dinamarca; molho de tomate – Itália e Egito; Queijo – Itália; caviar e trufas – Espanha e França; e alimentos orgânicos – Itália.

Algumas destas fraudes impactaram fortemente a segurança de alimentos, pela utilização de ingredientes nocivos à saúde, como óleo mineral em azeite de oliva, metanol em bebidas alcoólicas e comida contaminada que iria ser distribuída a pessoas necessitadas, dentre outras.

Não fique você agora desconfiando de tudo quanto é fornecedor destes produtos/ países, porque felizmente a maioria dos fornecedores é confiável. Mas como profissional da qualidade e da segurança de alimentos isto deve servir de alerta de que o sistema de seleção, monitoramento e verificação dos fornecedores deve ser reforçado.









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