segunda-feira, 17 de março de 2014

Prevenção de fraude em alimentos ganha destaque - parte 1

Colaboração de Graziela Alvarez, consultora independente, Los Angeles

Ao introduzir o tema dessa breakout session, Yves Rey, moderador da sessão e Diretor Corporativo da Qualidade da Danone resgatou o escândalo da carne de cavalo, em países da União Europeia, ocorrido um pouco antes da realização da edição 2013 da Conferência Global de Segurança de Alimentos em Barcelona (http://www.bbc.com/news/business-25347633).
 
A sessão foi uma excelente oportunidade para descobrir o que a indústria na cadeia de alimentos tem feito para reduzir o risco das adulterações motivadas economicamente, em inglês EMA - economically motivated adulteration,. A posição do GFSI com relação a este assunto será de adicionar requisito de análise de vulnerabilidade à fraude na versão número 7 do documento Guia do GFSI, previsto para o fim do ano de 2015. Falo sobre esse assunto mais para frente.
 
Ao ressaltar a urgência e gravidade do assunto, Petra Wissenburg, Diretora Corporativa de Projetos de Qualidade da Danone em Singapura, sugere que a melhor forma de prevenir fraude é tratá-la como questão de natureza criminal.
 
Petra Wissenburg, da Danone Singapura. Foto GFSI Flickr
 
 Petra apresentou um interessante esquema, que achei legal compartilhar com você, pois define bem o conceito de fraude em alimentos.

Fonte: Slide Petra
 
A equipe de especialistas em fraude de alimentos do GFSI liderada por Petra* entende que, para evitar a ocorrência de casos como o da carne de cavalo, dois novos elementos devem ser considerados nos sistemas de gestão da segurança de alimentos das empresas: 1) identificação de risco por meio de avaliação de vulnerabilidade, e 2) criação de plano de medidas de mitigação dos eventuais riscos encontrados. Para o GFSI, o sistema de gestão em segurança de alimentos deve abrigar sob o mesmo guarda-chuva o HACCP, que previne contaminações não intencionais, o VACCP (vulnerabilities to fraud) que previne a adulteração intencional motivada economicamente; e o TACCP (treats), que previne a contaminação intencional motivada por razões ideológicas.  
 
Michèle Lees, Diretora de Pesquisa Colaborativa da Eurofins Analytics da França, que também faz parte do Food Fraud Think Tank e que esteve presente virtualmente no evento, propõe “as empresas devem estabelecer uma estratégia eficaz de detecção e dissuasão através da implantação de um Plano de Controle de Vulnerabilidade, que seja SMART, donde S = Specific/específico, M = Measurable/mensurável, A = Assignable/relevante R =  Realistic/realista e T = Traceable/rastreável”.  Ela alerta que fraude em alimentos é algo imprevisível, com alvo desconhecido, e que, portanto, necessita de abordagem não-convencional.

A tabela abaixo mostra os passos propostos para a avaliação de risco de fraude, seguida das respectivas medidas de mitigação.

Michèle apresentou exemplos de medidas de mitigação que podem ser utilizadas na prevenção de fraudes: realizar verificação visual e/ou organoléptica; analisar adulterações específicas, como melamina no leite, realizar testes ao acaso para adulterações potenciais etc.

 
 
 
*Veja post de março de 2013 a respeito da Food Fraud Think Tank. 
 
Aguarde para amanhã a conclusão do post.

Apoio na publicação: Simone Souza



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sexta-feira, 14 de março de 2014

Transparência é a trilha exigida pelo mercado

Vou dar hoje um overview sobre uma palestra sobre Transparência, que me chamou atenção num primeiro momento pelo inusitado do título. Essa palestra foi realizada durante o café da manhã e organizada pela TraceOne.
 
A sessão começou com John Keogh, Presidente da Shatalla Inc, do Vietnã. John tem um vasto currículo: é também membro da Comissão da União Europeia para Saúde e Segurança do Consumidor, é estrategista renomado e grande articulador, além de ter sido conselheiro do GS1. Ele faz intermediações com a indústria, governos e agências intergovernamentais, tratando da aplicação de normas e tecnologias para facilitar o comércio, melhorar a eficiência da cadeia de abastecimento e melhorar a rastreabilidade e a transparência de dados. Ele atuou como elo de ligação formal para comitês de normas ISO para recall, sistemas de gestão de alimentos e grupo GS1 de rastreabilidade. Poderoso, hein?! 


John Keogh - Shantalla Inc. Fonte: Flickr/ GFSI
 
John abordou o tema Transparência, e afirmou que “agregar transparência não é opção, e sim cada vez mais uma obrigação”, apontando as razões:
• O sistema regulatório de muitas importantes regiões ou países está estabelecendo novas regras e regulamentos, a exemplo do FSMA, e a UE 1169/2011, com foco que vai além da segurança de alimentos.
 
• A cadeia de alimentos é global, e incidentes de segurança de alimentos ao nível de ingredientes tem potencial de graves consequências e grande amplitude. 
 
• Consumidores “high-tech”, ávidos por informações, provocam um descompasso entre as expectativas de consumo e capacidade de entregar.
• Abastecimento global é complexo e traz riscos, levando à necessidade de melhores práticas e alta capacitação das organizações e indivíduos envolvidos.
 Fonte: slides GFSI

O número de consumidores esclarecidos que buscam mais e mais informações do que compram está em ascensão. Além das informações obrigatórias, é cada vez mais importante informar sobre a marca, o produto, rastreabilidade dentre outas demandas. A fonte de informação passou da embalagem para o 0800 e do 0800 para aplicativos que usam código de barras ou tipo QR. Através desses códigos, as informações do produto são disponibilizadas via web em smartfonese outras traquitanas eletrônicas. Na prática, John relata que ainda existem alguns gaps, apontados por pesquisas. Por exemplo: 91% dos leitores móveis de códigos de barras dão erro retornando com informações de outros produtos e 75% dos códigos escaneados não conseguem trazer as informações sobre o produto.

John concluiu afirmando que: “transparência é o caminho apontado pelo mercado, deixando de ser uma opção e passando sim, a ser uma necessidade, mas para isso, é preciso pensar além da segurança dos alimentos e valorizar a transparência, afinal a cadeia de abastecimento atualmente é global e a transparência inspira confiança, com benefícios imensos tanto para as empresas como para seus consumidores.
 
Fonte: slides GFSI
 

Michael Bromme, Vice-Presidente Executivo da TraceOne, empresa que opera mundialmente com plataformas colaborativas em nuvem para as indústrias produtoras de bens de consumo de marcas próprias, acelerando o “time-to-market”para os varejistas, fabricantes e empresas de serviços de alimentação.
Michael tem vasta experiência no varejo e em bens de consumo embalados, ampla experiência em rastreabilidade para marcas próprias e em alavancar a confiança do cliente, via otimização de preços, ajudando os produtores e varejistas a melhorar a rentabilidade. Ele usa sua experiência expandindo o desenvolvimento global de clientes da empresa, conduzindo iniciativas de vendas e de marketing de forma agressiva.

Michael Bromme - TraceOne. Fonte: Flickr/ GFSI
 
A TraceOne tem como compromisso facilitar os processos de colaboração entre varejistas e fabricantes, otimizando assim o lançamento e desenvolvimento de produtos de marca própria, controlando informações sobre o produto e fornecendo dados sobre o produto e segurança de alimentos. Isso maximiza a rentabilidade e competitividade ao longo do processo de gestão do Ciclo de Vida do produto.

A TraceOne apresentou como se pode simplificar a complexidade de dados de uma cadeia de fornecimento completa para cada produto: as conexões da cadeia de fornecimento são disponibilizadas para cada produto, com ferramentas que permitem mostrar o status de visibilidade de cada fornecedor em toda a cadeia do produto.

Apoio de redação: Pablo Laube
Apoio na publicação: Simone Souza

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Socializando no coquetel do GFSI

Uma coisa que acho muito legal nos eventos do GFSI, é que sempre há na programação momentos para descontração, socialização e networking. Unir o útil ao agradável é muito bom. Primeiro porque a intensa programação, especialmente, lidar com outras línguas é sempre um pouco cansativo, e depois porque facilita o networking. Ao fim do primeiro dia de atividades, houve um coquetel para todos, no qual fiquei só um pouquinho porque logo depois saí para participar de um maravilhoso jantar a convite da DNV. Em futuro post falarei um pouco desse jantar.
 
Abaixo coloco algumas fotos para você sentir o clima.
 
Fonte: Flickr/ GFSI
 
Alegria! Alegria! Teve música com um conjunto de mariachis.

Fonte: Flickr/ GFSI
 
Fonte: Flickr/ GFSI. O terceiro da esquerda para a direita é o Rodrigo Quintero, da IFS Chile, cantando animadamente, com amigos. Claro que facilitados por uma boa cervejinha! 
 
Coloco agora uma foto com parte da poderosa equipe organizadora deste maravilhoso evento.
  
 
 E agora meus amigos Edgard Nemorin do GFSI, Frank Yiannas do Walmart, e as simpaticíssimas Houda Nguyen e Daphneé Bernard, gerentes da equipe organizadora.
 
 
Aqui temos fotos do stand do BRC, com a Tessa Kelly (à esquerda na foto), Diretora Comercial do BRC e de outro amigo, o John Kukoly, Diretor para as Américas, também do BRC (à direita na foto).
 
Fonte: Flickr/ GFSI
 
Apoio de publicação: Simone Souza
 
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quinta-feira, 13 de março de 2014

O futuro da colaboração público-privada: desafios e oportunidades

Estava prevista para esta palestra a vinda do Michael Taylor, grande autoridade do FDA – Food and Drug Administration, nomeado em 2009 pelo Presidente Obama, presidente a quem tive a oportunidade de secretariar um pouco antes de ir para a Conferência. Duvida? Veja abaixo a foto:
 

Foto autoria: Ellen Lopes. Como consegui esta oportunidade? Veja ao fim deste post!
 
Voltando ao Michael Taylor: acabou que ele não pode vir. Ele foi substituído pela Sharon Lindan Mayl, Conselheira e Assessora da Política de Alimentos, do FDA, que falou sobre a Food Safety Modernisation Act (FSMA), reforçando que só o foco principal desta lei é sobre prevenção de doenças veiculadas por alimentos.
 

Sharon Lindan Mayl , do FDA. Foto autoria: Ellen Lopes.
 

O FSMA, que está em fase de regulamentação, envolve a criação de um novo sistema de segurança de alimentos, enfatiza a responsabilidade da cadeia produtiva, e cria uma rede de segurança ao longo da cadeia de abastecimento.
As parcerias decorrentes do FSMA ocorrem/ ocorrerão na esfera pública federal, estadual e em nível internacional. Ao nível privado, o FDA está dialogando com entidades regulamentadas e terceiros privados para definir o papel dos terceiros privados na implementação FSMA.
 
O FSMA prevê:


- Proposed Rule for Foreign Supplier Verification Programs for Importers of Food for Humans and Animals (FSVP) – é o Programa de Verificação de Fornecedor Estrangeiro e inclui o programa de verificação para importadores de alimentação humana e animal. O FSVP propôs um regulamento que designa os importadores como responsáveis pela segurança da cadeia de suprimentos, e estabelece que haja pessoas qualificadas para tal programa.
- Programa Voluntário de Importador Qualificado (VQIP) – como desdobramento do FSMA, o FDA deve criar um programa voluntário, que oferece aos seus membros um processo de importação acelerada. Um importador torna-se elegível quando o FDA determinar que o alimento oferecido para importação é seguro, e a empresa estrangeira consegue uma certificação por auditoria de terceira parte. O programa vai ajudar especialmente os importadores de alimentos perecíveis, pois a importação vai demorar menos tempo.
- Certificação de Importação para determinados alimentos de alto risco.
Sharon relacionou que estão sendo estudadas algumas oportunidades de colaboração com GFSI, e felicitou o GFSI por seu trabalho para estabelecer regras para maior confiabilidade sobre a competência dos auditores. Ela finalizou a apresentação com a seguinte pergunta, decorrente da relação do programa FSMA e o GFSI, o qual estendo a vocês: “Onde é que nós nos vemos em 20 anos e que sucessos podemos alcançar juntos?”
 
Foto com o presidente Obama: foi no museu de cera MadameTussaud, em Hollywood!

Apoio na publicação: Simone Souza

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Mídias sociais - parte 2

Colaboração de Graziela Alvarez, consultora independente, Los Angeles

Dando continuidade ao assunto de mídias sociais, e abordando momentos de crises, Charlie Arnot, CEO da ONG The Center for FoodIntegrity - USA destacou que responder em tempo real não é uma opção, e sim uma exigência, e as mídias sociais permitem que as empresas rapidamente se comuniquem com seus consumidores. Portanto, quanto mais rápida a resposta, maior será o controle da situação e a construção ou recuperação da confiança perante o consumidor. Charlie ressaltou ainda que transparência é um item inegociável em momentos de crise, dando lições importantes de como fazer isso por meio das mídias sociais:
1) Divida o que você sabe, sem superdimensionar;
2) Mantenha os consumidores  atualizados frequentemente;
3) Mostre seu engajamento, mesmo que não tenha nada a relatar;
4) Informações precisas garantem audiência;
5) Responda a questões e preocupações manifestadas;
6) Quanto mais engajado, menor o espaço para especulação e rumores.
Foto: Charlie Arnot, foto Flickr
 
 


Fonte: Slide do GFSI
 
Foi muito interessante quando Charlie quantificou o impacto na confiança do consumidor em relação ao que ele chamou de “bons e maus” atores que representam seus papéis em momentos de crises. Chegou à conclusão que 64% dos consumidores manifestam baixo nível de confiança em relação aos maus atores, e apenas 14% voltariam a comprar o produto após a ocorrência do surto, enquanto que para os bons atores esses valores são 6% e 35%, respectivamente.
 
Não posso deixar de mencionar, por fim, a presença nessa sessão de Shelley Feist, Diretora Executiva,  Partnership for Food Safety Education (PFSE) - que nos brindou com informações interessantes em como utilizar as ferramentas de mídia social para educar os consumidores em segurança de alimentos.

 Shelley Feist, da PFSE http://www.flickr.com/photo/gfsi
 

Confira as lições aprendidas pelo PFSE, compartilhadas pela Shelley:
1) O conteúdo é fundamental;
2) Seus "objetos sociais" precisa ser atraente para o seu público;
3) Seus clientes não estão a fim de ligar-se no que é do seu interesse, e sim no deles;
4) Conheça o seu público;
5) Construção do engajamento do edifício leva tempo, esforço físico e mental;
6) Use ferramentas analíticas disponíveis;
7) Esforços online e offline combinados = engajamento!
 

Aguardem para breve meu novo post “Prevenindo Fraudes nos seus Produtos”.

Apoio na publicação: Simone Souza


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quarta-feira, 12 de março de 2014

Mídias sociais – parte 1

Colaboração de Graziela Alvarez, consultora independente, Los Angeles

Esse foi o tema que mais me interessou quando observei a programação da Conferência. Afinal, acredito que as mídias sociais têm imenso poder de compartilhar informações e tornar o mundo mais aberto e conectado. Cada dia sou mais seduzida pela capacidade do Facebook, Twiter, Linkedin, Instragram etc, em encurtar as distâncias entre pessoas e organizações.
Para segurança de alimentos, essas ferramentas têm um significado ainda mais importante, o de proteger e salvar vidas. De fato, esse é o ponto de partida do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC - Center for Disease Control and Prevention – www.cdc.gov, USA). Segundo Dana L. Pitts, Diretora de Comunicação em Saúde do CDC, a agência trabalha ininterruptamente, 24 horas por dia e 7 dias na semana (http://www.cdc.gov/24-7/), a fim de investigar e dar respostas à população sobre ameaças à saúde e sua segurança, no menor intervalo de tempo possível, por meio de esforços conjuntos entre os cientistas (investigadores) e a equipe de comunicação. 

Dana Pitts do CDC em conversa com consumidora. Fonte: FDA
Dana Pitts, Líder da Comunicação Científica da Divisão de Doenças Veiculadas por Alimentos, Água e Meio Ambiente do CDC, explicou que quando o assunto é mídia social, o CDC trabalha com base em proteção, prevenção e comprometimento (para mais informações, acesse o site http://www.cdc.gov/socialmedia/).

A primeira vez que a agência utilizou as mídias como estratégia de comunicação para alcançar e proteger o consumidor foi durante a ocorrência do surto da Salmonella Typhimurtium em pasta de amendoim em 2008-2009, e foram diversos os mecanismos utilizados para tentar conter a crise, conforme você pode verificar no site   (http://www.cdc.gov/salmonella/typhimurium/).

Uma das lições ressaltadas por Dana, e que vale ser compartilhada aqui neste blog, é: “Mostre que você se preocupa com a situação por meio da mídia social, peça desculpas, e diga claramente o que está sendo feito naquele momento sobre esse assunto”. 

Construção de confiança (Trust building) foi o elemento mais discutido nesta “breakout session”, e é nele que se insere o pilar trabalhado pelo CDC por meio das mídias sociais, a prevenção. Afinal, para ser confiável em momentos de crises, é importante que essa confiança seja construída ANTES de que a crise aconteça. 

Para finalizar esta parte, dou aqui o link do CDC que dá dicas úteis de como escrever e se dirigir a mídias sociais: http://www.cdc.gov/socialmedia/tools/guidelines/guideforwriting.html .


Apoio de publicação: Pablo Laube


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